26 de junho de 2011

A idade e a Mudança


A idade e a Mudança - Lya Luft

"Mês passado participei de um evento sobre as mulheres no mundo contemporâneo.
  
  Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres  de todas as raças, credos e idades.
E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.
  
  Foi um momento inesquecível...  A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito.
  
  Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório
há quase uma hora exibindo minha inteligência,
e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho?
Onde é que nós estamos?'

Onde, não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado 'juventude eterna'.
Estão todos em busca da reversão do tempo.
  
    Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.
  
  Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas, mesmo em idade avançada.
A fonte da juventude chama-se 'mudança'.
 
De fato, quem é escravo da repetição está condenado
a virar cadáver antes da hora.
  
  A única maneira de ser idoso sem envelhecer
é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas.
  
  Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.
  
  Mudança, o que vem a ser tal coisa?
  
  Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme
em que morou a vida toda para um bem menorzinho.
  
  Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.
  
  Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens
do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos.
  
  Rejuvenesceu.
 
Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou
um baita emprego por um não tão bom,
só que em Florianópolis,
onde ela vai à praia sempre que tem sol.
  
  Rejuvenesceu.
 
Toda mudança cobra um alto preço emocional.
  
  Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada,
chora-se muito, os questionamentos são inúmeros,
a vida se desestabiliza.
  
  Mas então chega o depois, a coisa feita,
e aí a recompensa fica escancarada na face.
 
Mudanças fazem milagres por nossos olhos,
e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna.
  
  Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem,
só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho.
  
  Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.
 
Olhe-se no espelho..."

Lya Luft

7 de junho de 2011

sonhar

O sonho é a expressão mais espontânea da existência do ser humano.
Todo sonho é uma obra de arte. 

5 de junho de 2011

cansaços da vida atual

estou cansada de individualismo.
estou cansada de expectativas.
estou cansada de pré-conceitos.
estou cansada de pressões sociais.
estou cansada de preconceitos.
estou cansada de comunicação falha.
estou cansada de alienação.
estou cansada de estereótipos.
estou cansada de rigidez.
estou cansada de certo e errado.
estou cansada de moda.
estou cansada de cansar.


         

30 de abril de 2011

Incomodações que a Psicologia tem me trazido

Sou estudante de Psicologia. No meio pro final da faculdade.
Fase pré-estágios curriculares, isto é, fase pré-escolhas que modificarão e muito o futuro pós-formatura.
Imersão em cadeiras cada vez mais técnicas, voltadas para o campo de atuação de um psicólogo. Que bom. Tenho estado bem feliz percebendo a profissão de maneira mais concreta, me imaginando nesse papel e enfim, tô louca que iniciem os estágios!

Só que tenho me incomodado com algumas questões acerca desse quadro que pintei há pouco.
Quero citá-las aqui e não me desculpo se insultar alguém em específico. É meu blog e quero que todos que convivem comigo, possam lê-lo.

Bem, me incomoda:

1. Linhas teóricas em ataque
- vejo professores falando: "porque em outras teorias não é assim tão maravilhoso como a minha teoria", poxa! já sabemos muito bem de qual teoria tu tá criticando, jogue limpo e fale diretamente qual é!
- escuto: "Bruna você vai ser humanista porque você faz grupo de estudos em psicanálise?"
poxa! preciso aprender a psicanálise pra poder depois falar: "porque a psicanálise acredita nisso, e o humanimo acredita naquilo" e preciso saber beeeeeeem pra poder criticar!
- uma guerra fria (ou quente demais) instaurada entre as linhas teóricas, por vezes esquecendo que devemos defender as pessoas e não nossas técnicas e métodos "milagrosos"!
- percepção de colegas muito certos numa escolha e muito fechados pra novas descobertas!
poxa! somos jovens ainda pessoal! temos muito o que aprender!
- comentários incoerentes ao falar de outras linhas que não aquelas que "escolhemos"
poxa! vai estudar primeiro antes de falar e criticar! não pegue uma parte do todo e meta pau em cima!

sério! vamos parar de nos degladiarmos e acharmos que o nosso umbiguinho, que a nossa técnica, que a nossa associação brasileira, que a nossa formação específica é melhor que outras por aí!

porque depois o que acontece: não construímos uma identidade profissional, e sim identidades profissionais que não nos fazem inter-dialogar, que não nos fazem aprender, que não nos deixam indicar um paciente/cliente pra outro colega... enfim... que barram nossos diálogos e que prejudicam só as nossas representações sociais por aí!

vamos encontrar nosso caminho, sim, vamos, mas vamos respeitar o caminho do outro, aprender e criticar de maneira inteligente ele.

quem tem que achar se somos bons mesmo são nossos clientes, pacientes, avaliandos.

chega disso!
estou cansada, muito cansada com tudo isso!

e enfim, todas as linhas estão conectadas porque uma surgiu da outra e realmente espero que novas surgirão ainda! 

AFF

28 de fevereiro de 2011

Balanço das férias

Mais uma temporada de verão que vai chegando ao fim.
Parece que tantas coisas mudaram pra mim nesse tempo.
Estou me reinventando, eu acho. Me descobrindo, descobrindo possibilidades que estavam tão perto e ao mesmo tempo tão longe do meu olhar. Agora, estão perto, e vejo o quanto tenho de possibilidades pra viver e aspectos que quero muito concretizar. Aspectos que são sonhos, no âmbito comum, e que pra mim são planejamentos de vida.
Me sinto mais bela, mais leve, mais feliz, mais congruente comigo, mais capaz, mais autonoma, mais vívida. A cada dia que vivo. A cada ato em que assumo a responsabilidade. A cada novo aprendizado. A cada nova experiência.

Em alguns momentos desse verão, fui perguntada sobre pontos a desenvolver (em entrevistas de emprego), naquelas ocasiões eu não tinha muita ideia do que dizer, porque me sentia tão plena e tão lúcida sobre mim, que pontos a desenvolver seriam muito mais profundos do que práticos. De qualquer forma, consegui apontar esses pontos de maneira mais objetiva.

Porém, comecei a pensar que tais pontos a desenvolver são mais evidenciados quando temos desafios na vida, e que esta nos propõe encaixes e soluções em que ainda não tínhamos passado. Desafios que tenho muita vontade em enfrentá-los. Tenho vontade em me desafiar cada dia mais. De maneira em que possa aprender, em que possa crescer e ser cada dia mais uma mulher livre e consciente da minha vida.

Acredito que sou muito otimista para ver esse fim de férias como algo ruim, realmente tive férias inesquecíveis e com certeza eu cresci muito com elas.

Assim eu vou, fazendo da maré minha amiga, fazendo o vento me levar por onde eu decidir.

Beijos, e bom início de aulas! Bru

30 de janeiro de 2011

Liberdade...na internet?

LIBERDADE: Cada vez mais me deparo com essa palavra. Seja em forma de pensamento, de desejo ou de ação. Cada vez mais essa palavra e toda a sua intensidade me faz pensar muito sobre o seu real sentido e enfim. o que é ter liberdade? Não sei, realmente estou buscando essa liberdade. A cada dia, a cada novo passo. Se libertar é ainda mais complexo. Não envolve só a liberdade em si, mas a responsabilidade de colocar nas mãos algo que nem sempre é certo e sólido. Algo colocado sobre nós que só diz respeito a nós mesmos.

E como se libertar com tanta rede social na internet?

Enfim, eu tenho odiado redes sociais, seja Facebook, Twitter, MySpace, Msn (como uma rede também). Tenho odiado por me deparar com notícias, fatos, fotos, mensagens de amigos que estão tão longe de mim, em sua maioria. E que por muitas ocasiões só sabem da minha vida se eu "a posto" em alguma dessas redes.

Ora, que tipo de "amigos" são esses?

Pessoas atentas as minhas atualizações, que querem "obter" informações e organizá-las numa caixa chamada computador?

Não, esses não são meus amigos.

São pessoas que participam da mesma rede que eu, e que por uma razão ou outra eu dei a "permissão" de compartilhar minhas coisas com estes.

As pessoas saem e tiram fotos pensando na publicação.
Aonde ficaram aquelas tardes de amigos em que estes mostravam seus álbuns e davam risadas regados a chimarrão ou cerveja? Aonde ficaram estes álbuns, aliás? o.O

Tenho saudades disso e penso seriamente em me "desligar" dessa vida virtual. E essa ideia tem crescido muito e muito.

Muitas pessoas não conseguem mais viver sem publicar, twittar, blogar, responder, curtir e comentar. Oras, quanto tempo se perde se relacionando com uma máquina e quanto tempo se leva pra ver que o contato mais profundo e sincero é um sorriso ou um olhar?

Pois é, admito que perdi muito tempo da minha vida em cima disso, mas, sempre é a hora de dizer chega de uma vida virtual para dar atenção integral a vida real.

Assim sendo, me despeço, com sorrisos reais ou quase.

Bru.

21 de janeiro de 2011

sem pré-ocupações da mente

Me deu uma vontade de escrever, mas não sei sobre o que. Venho tentando a cada dia em pré-ocupar cada vez menos nas minhas ações. Não me ocupar do que estarei fazendo daqui a algum tempinho, pra poder me centrar mais e mais no meu aqui-e-agora. Vem dando certo e deve ser por isso que chego até a tela de nova postagem, sem ideias na cabeça e não me preocupo com isso. Se ideias vierem, eu escrevo, senão, há o ponto final pra tudo.

Lembro de semana passada, eu pegar um onibus e eu não sabia nada do trajeto dele, só sabia que ele passava perto da onde eu queria ir. Ele virou uma rua e começou a dar muitas voltas, e eu pensando, calma, ele vai chegar lá. Não me preocupei, não falei com ninguém, simplesmente esperei o que ia me acontecer. Logo depois, ele chegou ao meu destino e desci, faceira da vida. Pode ser um exemplo tolo, e há quem pense, "tu ainda pode te dar mal assim", mas uns tempos atrás, parece que minha auto-confiança aumentou e posso ir mais segura naquilo que quero e saber o que quero e enfim, conseguir. Seja o destino que tenho que chegar, seja as metas que tenho que cumprir.

Parece, que quando tu sabe o que tu realmente quer e age pra isso, acontece! Sério.
Isso é bom, é mágico.

tentem viver mais a viagem que chamamos vida, além de planejá-la e enchê-la de preocupações que muitas vezes não tem fundamento real.